Discreto, mas potencialmente agressivo, o câncer de bexiga ainda é um dos tumores menos conhecidos pelos brasileiros, apesar de registrar mais de 11 mil novos casos por ano no país. O maior desafio continua sendo a falta de informação: muitos pacientes ignoram os primeiros sinais da doença e acabam chegando ao consultório quando o tumor já está em estágio avançado.
Durante o Julho Roxo, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de bexiga, o urologista Bernardo Barreira defende que reconhecer precocemente os sintomas pode fazer toda a diferença no tratamento. Nesta entrevista, ele fala sobre os principais fatores de risco, explica por que os homens ainda resistem aos cuidados preventivos e deixa um recado direto: sangue na urina nunca deve ser tratado como algo normal.
O que representa o Julho Roxo?
O Julho Roxo foi criado para chamar a atenção para um câncer que ainda recebe pouca visibilidade. O câncer de bexiga provoca mais de 11 mil novos casos por ano no Brasil e, quando diagnosticado tardiamente, pode ser fatal. A campanha busca justamente ampliar o conhecimento da população sobre a doença e estimular o diagnóstico precoce.
Qual é o principal alerta deste mês?
Sem dúvida, o câncer de bexiga. Mas a campanha também serve para lembrar que a saúde urológica merece atenção permanente. Os homens, em especial, ainda têm o hábito de adiar consultas e exames, o que compromete o diagnóstico de diversas doenças.
Qual sintoma jamais deve ser ignorado?
Sangue na urina. Esse é o principal sinal de alerta. Em pessoas acima dos 50 anos, qualquer episódio de urina avermelhada exige avaliação médica, mesmo que aconteça apenas uma vez, desapareça espontaneamente ou não provoque dor.
Existe prevenção para o câncer de bexiga?
Não há exames de rastreamento para pessoas sem sintomas, como ocorre em outros tipos de câncer. Por isso, o mais importante é estar atento às alterações urinárias e procurar um urologista sempre que surgir qualquer sinal incomum.
Quais hábitos ajudam a proteger a saúde urológica?
Os mesmos que beneficiam praticamente todo o organismo: alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso e abandono do cigarro. A prevenção começa muito antes do consultório.
O cigarro realmente aumenta o risco da doença?
Sim. O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de bexiga. Além dele, trabalhadores expostos a produtos químicos, como tintas, solventes e derivados do petróleo, também precisam de atenção especial e do uso rigoroso de equipamentos de proteção.
Por que tantos homens ainda evitam o urologista?
Ainda existe um componente cultural. Muitos homens só procuram ajuda quando os sintomas já estão instalados. A participação da família, especialmente de esposas e filhos, é fundamental para mudar essa realidade e incentivar o cuidado preventivo.
Qual a importância do diagnóstico precoce?
Nos tumores urológicos, descobrir a doença no início significa ampliar significativamente as chances de cura e permitir tratamentos menos agressivos. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são os resultados.
Quais exames fazem parte da rotina de prevenção?
Cada paciente tem necessidades diferentes. Idade, histórico familiar e fatores de risco determinam quais exames são mais indicados. Por isso, a consulta periódica com o urologista continua sendo o melhor caminho.
Que mensagem o senhor deixa para a população?
Costumo dizer que a bexiga não manda mensagem no celular. Ela manda sangue na urina. Se isso acontecer, não espere passar. Procure um médico. Esse gesto simples pode salvar uma vida.
Quem é Dr. Bernardo Barreira?
Médico Urologista do Hospital do Coração de Goiás
Cirurgia Robótica no Albert Einstein
Professor Urologia HC-UFG
CRM-GO 12118
RQE 8506
Rua 6, 256, Setor Oeste
WhatsApp: (62) 99999-2770
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