Após mais de duas décadas dedicadas à criação de narrativas institucionais e campanhas que aproximam marcas e pessoas, o publicitário, roteirista e comunicador André Pupulin faz sua estreia na literatura com Os Benquistos. O livro, uma coletânea de contos urbanos e existenciais, foi lançado no dia 20 de dezembro, sábado, no Zimbro Cocktails & Co, em Goiânia, em um encontro intimista para amigos e convidados.
Na obra, Pupulin propõe um olhar inusitado sobre a vida a partir do encontro final: a Morte — não como punição, mas como revelação. É ela quem conduz as narrativas, assumindo o papel de narradora onisciente, ora sarcástica, ora compassiva, às vezes até frustrada. A partir desse ponto de vista inesperado, o autor constrói histórias que falam menos sobre morrer e mais sobre aquilo que nos impede de viver plenamente.
Os Benquistos reúne personagens comuns em seus momentos definitivos: o avarento, a mulher irritantemente feliz, o sedutor magnético, a jovem obcecada por curtidas nas redes sociais, o perfeccionista, a procrastinadora, o homem que nunca aprendeu a dizer “não”, a mulher que coleciona ressentimentos. Fragmentos da condição humana que revelam medos, culpas, vaidades e afetos mal resolvidos — personagens que, no fundo, apenas desejavam ser amados.
As histórias se passam em cenários absolutamente corriqueiros, como supermercados, festas de aniversário, corredores de hospital, salas de espera e o interior das próprias casas. “É nesses encontros finais que cada personagem é confrontado com a pergunta essencial: ‘o que fiz de mim?’”, observa o autor.
Com escrita acessível, marcada por lirismo, ironia e delicadeza, o livro apresenta contos independentes unidos por forte unidade temática. A obra aborda memória, começos, fins e aquilo que ainda insistimos em tornar eterno, convidando o leitor a uma reflexão profunda sobre escolhas, silêncios e desejos adiados.
A estreia literária de André Pupulin se revela como um convite ao olhar interior — antes que seja tarde demais. Os Benquistos é indicado para leitores que apreciam contos contemporâneos com profundidade emocional, humor ácido, melancolia, reflexões sobre a condição humana e crítica social sutil.

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