A resistência masculina em procurar atendimento médico ainda representa um desafio para a saúde pública. Embora a prevenção seja fundamental para uma vida mais saudável e longeva, muitos homens continuam adiando consultas e exames, seja por questões culturais, medo de receber um diagnóstico ou pelo receio de demonstrar fragilidade. Em 2009, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, reconhecendo a necessidade de ampliar o acesso dessa população aos serviços de saúde.
Segundo o médico urologista Dr. Bernardo Monteiro Antunes Barreira, essa dificuldade está relacionada a barreiras culturais e emocionais construídas ao longo da vida. Desde a infância, muitos homens são ensinados a demonstrar força, suportar a dor e evitar demonstrar vulnerabilidade. Nesse contexto, procurar um médico ou psicoterapeuta ainda pode ser associado, equivocadamente, à fraqueza ou à dependência. Historicamente, o autocuidado também foi colocado no imaginário social como uma responsabilidade feminina, enquanto o homem passou a se enxergar prioritariamente como provedor, deixando a própria saúde em segundo plano.
O especialista ressalta que a consulta com o urologista vai muito além da prevenção do câncer de próstata. Ela representa uma oportunidade de avaliar a saúde masculina de maneira integral e identificar doenças que podem evoluir silenciosamente. Hipertensão arterial, diabetes e alterações do colesterol, por exemplo, muitas vezes não apresentam sintomas nas fases iniciais, mas podem ser identificadas por meio de avaliações clínicas e exames simples. A saúde mental também merece atenção, especialmente diante de sinais de ansiedade, depressão e outros transtornos que frequentemente são minimizados. No campo urológico, o acompanhamento permite investigar o crescimento benigno da próstata, cálculos renais e possíveis tumores renais.
Outro obstáculo importante é o medo de descobrir uma doença. Para alguns homens, adiar a consulta parece mais confortável do que enfrentar a possibilidade de um diagnóstico grave. Entretanto, como alerta o médico, evitar o diagnóstico não significa evitar a doença. Pelo contrário: a demora pode comprometer a identificação precoce e atrasar o início do tratamento. No caso do câncer de próstata, ainda existem tabus relacionados ao exame de toque retal, que, associado a outras avaliações, pode contribuir para o rastreamento e a investigação da doença.
Para o Dr. Bernardo, o acompanhamento médico regular, aliado a hábitos saudáveis, deve fazer parte da rotina masculina em todas as fases da vida. A prática de atividades físicas, uma alimentação equilibrada e a prevenção da obesidade são medidas importantes para preservar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida. Neste Novembro Azul, a mensagem do especialista é direta: cuidar de si mesmo não é sinal de fraqueza, mas uma demonstração de responsabilidade com a própria vida e com as pessoas que se ama.
Dr. Bernardo Monteiro Antunes Barreira é médico urologista, CRM-GO 12118, RQE 8506, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional Goiás e coordenador da especialidade de Urologia no Hospital do Coração de Goiás.
Serviço
Novembro Azul – Saúde do Homem
Campanha de conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento da saúde masculina. A orientação é manter consultas regulares e conversar com um profissional de saúde sobre os exames indicados para cada idade e histórico individual.
Deixe um comentário