Um dos argumentos mais persistentes — e equivocados — sobre a produtividade feminina acaba de ser desmontado pela ciência. Estudo publicado na PLOS ONE, conduzido pela Universidade de Melbourne, conclui que o ciclo menstrual não interfere no desempenho cognitivo das mulheres, contrariando décadas de suposições sem base empírica.
A pesquisa analisou 102 estudos anteriores, reunindo dados de cerca de 4 mil participantes. Foram avaliadas funções como memória, atenção, habilidades verbais e raciocínio espacial — sem qualquer evidência consistente de variação ao longo das diferentes fases do ciclo. Ainda que algumas mulheres relatem sensação de cansaço ou dificuldade de concentração, os testes objetivos indicam estabilidade plena da capacidade intelectual.
Para a ginecologista e docente Amanda Roepke Tiedje, professora do IDOMED, é essencial separar sintomas físicos de desempenho cognitivo. “Alterações hormonais podem gerar desconfortos, mas não afetam a inteligência ou a capacidade técnica. O cérebro feminino mantém sua funcionalidade em qualquer fase”, afirma.
O tema ganha relevância em um contexto em que barreiras invisíveis ainda limitam a ascensão feminina. Dados do Fórum Econômico Mundial mostram que mulheres ocupam menos de 30% dos cargos de liderança em áreas técnicas. Para a especialista, evidências como essa ajudam a desmontar o chamado “preconceito biológico”, ainda presente em ambientes corporativos e acadêmicos.
Mais do que uma constatação científica, o estudo aponta para uma mudança cultural necessária: reconhecer que competência não é cíclica — e que qualquer narrativa que sugira o contrário diz mais sobre vieses históricos do que sobre a realidade.
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