A compra do primeiro imóvel começa a ganhar novos significados para a Geração Z. Mais conectados à tecnologia e atentos à mobilidade, à conveniência e à qualidade de vida, jovens adultos estão ampliando sua participação no mercado imobiliário e influenciando o desenvolvimento de novos empreendimentos. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica aponta que 59% dos brasileiros entre 21 e 28 anos manifestaram intenção de comprar um imóvel em 2026, ante 49% da população em geral.
O interesse também avançou ao longo do último ano: entre o início de 2025 e março de 2026, a intenção de compra nessa faixa etária passou de 49% para 59%, segundo a pesquisa. Na Terral Incorporadora, o movimento aparece nos registros de clientes. A participação desse público passou de 11 consumidores, em 2016, para 121, em 2025 — um crescimento de 1.000%.
Moradia conectada ao estilo de vida
A decisão de compra envolve mais do que preço e metragem. Localização, segurança, infraestrutura e facilidade de deslocamento estão entre os fatores considerados por uma geração que busca conciliar trabalho, vida pessoal e lazer com menos tempo gasto em deslocamentos.
Para Mirely Lima, coordenadora de marketing da Terral Incorporadora, essa mudança exige projetos alinhados às novas demandas urbanas. “A Terral vem acompanhando essa transformação no comportamento dos consumidores e traduzindo essas novas necessidades em projetos que combinam funcionalidade, praticidade, conexão e bem-estar”, afirma.
Uma das apostas é o conceito de walkability, que valoriza a possibilidade de realizar atividades cotidianas a pé, com acesso facilitado a serviços, comércio e conveniências. A proposta responde à busca por autonomia e praticidade, especialmente em regiões urbanas com infraestrutura diversificada.
Outra tendência está na integração entre espaços privativos e áreas compartilhadas. Coworkings, academias, ambientes gourmet, lavanderias coletivas e áreas de convivência passam a compor a estrutura de empreendimentos voltados a diferentes perfis de moradores.
“Os novos produtos já vêm com o conceito de coliving, que são os espaços pensados para facilitar a rotina e, ao mesmo tempo, estimular encontros e novas formas de convivência”, explica Mirely. Entre as estruturas citadas pela executiva estão salas de reunião, estúdios de podcast, espaços de beleza, salas de massagem, saunas e spas.
O que muda nos imóveis
A transformação do perfil dos compradores também influencia o planejamento das incorporadoras. Plantas mais funcionais, melhor aproveitamento dos ambientes e áreas comuns equipadas aparecem como alternativas para atender consumidores que nem sempre priorizam grandes metragens privativas.
Em Goiânia, o setor acompanha essa evolução. Para Credson Batista, diretor de Pesquisas e Estatística da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), as empresas têm buscado adaptar os produtos para facilitar o acesso à moradia e atender às expectativas dos compradores mais jovens.
“Para facilitar o acesso ao primeiro imóvel e democratizar as moradias, as empresas têm ofertado plantas mais inteligentes e mais bem aproveitadas, otimizando os ambientes e trazendo uma maior versatilidade para os imóveis compactos”, afirma.
O executivo também destaca a ampliação das áreas de lazer e a inclusão de estruturas voltadas às atividades cotidianas, como coworkings, salas de podcast e academias equipadas.
Os dados indicam uma oportunidade para o mercado imobiliário, mas também um desafio: compreender as prioridades de uma nova geração de compradores sem perder de vista fatores tradicionais, como preço, condições de financiamento e localização. Para as incorporadoras, o diferencial está em combinar essas exigências com soluções que façam sentido na rotina de quem começa a construir seu patrimônio.
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